Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Há um monstro no mar - Cantares da Felicidade (XI)


Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança
e que não respeita os soberbos*, nem os que se desviam para a mentira.
Sl 40:4



Há um monstro no mar! Há uma terrível fera escondida. Ela está submersa no mar da alma humana. Eu não posso resistir... Quem poderia? Ela se ergue de dentro das águas. Esse monstro é a serpente, é o polvo, é o dragão marinho, que nos arrasta todos às águas profundas do mar sem fim.

Ninguém pode vê-lo. A fera diabólica é invisível, contudo, eu sei que a sua língua agita, tumultua, convulsiona o mar que há em nós e o mar é povos, multidões, nações e línguas. É Rahabe o monstro desses mares – um dos sete príncipes infernais. É ele o Leviatã que atormenta desde o princípio. Ele está lá fora e aqui dentro. "O monstro que você viu estava vivo, mas agora não vive mais. Ele está para subir do abismo, e dali sairá, e será destruído. Os moradores da terra que desde a criação do mundo não têm os seus nomes escritos no Livro da Vida ficarão espantados quando olharem para o monstro. Ele estava vivo; agora não vive mais, porém tornará a aparecer. Isto exige sabedoria e entendimento"... E se lhe negarmos a existência, ele nos dominará o mundo. "L'État c'est moi", diz o rei. Rahabe é a Soberba! É a Inveja! É a vaidade dos falsos deuses. Rahabe é a mentira, que nos leva a repousar sobre o nada. Rahabe – esse Leviatã – estava ali nos tormentos de Jó, mas também já se encontrara antes: no caos primitivo, havia a besta-fera abaixo das águas sobre as quais pairava o Espírito Santo.

Não há vitória contra o monstro que se vale da depravação da natureza humana contra o próprio homem, apenas o Cristo com seu anzol poderá arrancar de nós a fera imensuravelmente superior ao homem. Rahabe, eu sei que você foi humilhado quando as suas águas se abriram. Sei também, Rahabe, que subjugada foi a sua arrogância quando o obrigaram a ficar olhando impotente aquele povo passar a pé enxuto por entre as suas águas: “Ó, Mar Vermelho! Ó, Leviatã! Onde o seu grilhão? Monstro da minha alma, onde o seu veneno?" Todavia, se o homem não crê em ti, dispensa o socorro de Cristo – o único que pode enfrentar e destruir os egípcios sob o nosso encalço!

“Cala-te! Aquieta-te!” - ordenou o Senhor de dentro daquele barco. E Rahabe foi afugentado: “E o vento se aquietou, e houve grande bonança”... O Oceano e seus demônios. O exército dos soberbos. Rahabe é a rebelião contra tudo o que se chama Deus, por isso diz o salmista: “eu não respeito os desencadeados de Rahabe e nem os que se desviam para seguir as loucuras de suas mentiras”.

Suas carnes, Rahabe, e a carne de seus seguidores e seus sangues serão servidos aos animais. Quanto aos que têm ouvidos para ouvir, a felicidade é tão somente daqueles que depositam sua confiança no Senhor que destruirá a fera que sai do mar.

רהב* - forma plural (raw-hawb): os seguidores de Rahabe. Literalmente: os desencadeados. Os egípcios eram chamados assim e também os falsos deuses dos povos vizinhos.

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