Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O amor total - Cantares de Salomão (XIX)


...ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros. O meu amado é semelhante ao gamo ou ao filho do corço; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, reluzindo pelas grades (2:8-9, RC).

“Ele me busca... sinto teus olhos, meu amor, percebo os olhos do amor buscando por mim. São teus olhos apaixonados e sedentos por mim. É essa tua fome que tem procurado saciar-se de meu corpo e de tudo o mais que tenho a oferecer. O meu amado é meu e eu sou do meu amado! E estes olhos à janela da casa de minha mãe são teus olhos que eu sei... é esse teu amor que me oferta as duas faces desse teu sentimento”...

As palavras acima seriam a expressão da Sulamita assediada pelos olhos de seu amado à espreita por trás das paredes. O amor tem duas faces e pouquíssimos são os que conseguem ver ambas. Felizes são os que não optam nem por uma e nem por outra, antes, percebem que não há paradoxo algum no amor, não há contradição ou ambiguidade neste sentimento criado por Deus no homem.

A Sulamita é Eva redimida! É a mulher que desfaz a opção errada que houvera feito e aproveita a nova chance para seguir o caminho inteiro e não o que foi fendido pelo pecado. Sulamita é a mulher que escolhe a interpretação de Deus sobre o amor e ignora as propostas feitas pelo anjo caído. O amor não pode ser quebrado, não deve ser partido e jamais poderia ser fragmentado por nós. A amor só é amor se vier por inteiro, se nos visitar na sua totalidade. Os poetas e os teólogos estão quase sempre cometendo a infração de danificar o amor, apresentando-o sendo "ou uma coisa ou outra". Condenam o amor a ser escolhido em partes, sem jamais apresentá-lo como um todo. Por isso os casamentos findam, os amantes se perdem e os feridos suicidam. O amor não oferece uma escolha, ele, simplesmente, entrega-se a si mesmo: completo!

Quando a Sulamita descreve seu amado, ela usa imagens antagônicas, contrárias, opostas, porém, ela não escolhe nem uma e nem a outra, porque, na verdade, a escolha dela é por tudo aquilo que ela pode e quer viver. Ela descobre que o amor tem duas faces, o gamo e o filho do corço. No primeiro, é descrito o amor selvagem, carnal, a paixão, a libido, o amor ferinus. No segundo, o filhote do corço é a imagem da ternura, da inocência, da pureza, do afeto, o amor divinus. O amado da Sulamita é assim desejado por ela, que, agora, não quer mais ceder a uma escolha, ao seu arbítrio, à metade de tudo aquilo que ela pode receber irrestritamente. Nas palavras de Leão Hebreu, “o amor é desejo de união com o amado e todo desejo é amor e todo amor é desejo”! Outros já se debruçaram sobre o “amor total”, o “amor absoluto”, e viram que os intérpretes é que insistem em violar a integralidade do amor, por isso Hobbes diz: “desejo e amor são a mesma coisa, salvo que por desejo sempre se quer significar a ausência do objeto e quando se fala em amor, geralmente, se quer indicar a presença do mesmo”.

Os olhos famintos desse amor perseguem a Sulamita escondida na segurança da casa de campo de sua mãe. Ela intui a presença daqueles olhos por detrás das janelas. Protegida pelas paredes da sua casa, a Sulamita, no entanto, anseia que ele ouse fazer o convite que ela tanto deseja... 

Um comentário:

CORAÇÃO QUE PULSA disse...

LINDO DEMAIS!!!
Vou coloca-la no meu blog, fazendo JUNÇÃO com palavras minhas.
EU e AMIGUIM...rsrsrs

Um abraço.
Fica com DEUS.

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